sábado, 21 de setembro de 2013

MP3 x Lyrics

Lá vou eu falar de antiguidades de novo. O MP3 ficou pra trás num ponto. Assim que surgiram os MP3 players, surgiu a possibilidade de se ouvir e cantar, lendo a letra da música no próprio aparelhinho. Lindo!

Só que para isso alguém tem que colocar na mesma pasta um arquivo de texto como mesmo nome do arquivo da música e a extensão .LRC (de lyrics). Feito isso qualquer MP3 player, inclusive o computador vai mostrando a letra de acordo com o rolar da música.

Pois bem, na época em que isso foi lançado a internet não estava tão difundida quanto hoje e nem era tão rápida e eu acho que isso foi o que impediu essa idéia a decolar, porque quem é que vai digitar todas as letras de suas músicas e ainda por cima, onde encontrá-las? O ideal é mesmo compartilhar, cada um coloca na internet as letras das suas músicas preferidas e um copia do outro.

As gravadoras então nem se coçaram para colocá-las embutidas no CDs(depois reclamam da pirataria), porque criar esses arquivos pode parecer fácil, pois é só digitar as frases linha a linha, só que tem um fator dificultatório: é preciso colocar no começo de cada linha o tempo (min:seg) quando deve ser apresentada cada linha. Isso pra gravadora é fácil, mas pra nós, ficar ouvindo todas as músicas pra anotar a hora de entrada de cada frase, não é tarefa nada fácil.

Pois bem... o que podia ser um facilitador trivial, continua afundado no mar da desevolução.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

De altruismo para egoísmo

Voltei a escrever. E vou começar falando, não da desevolução das coisas, mas sim do próprio homem.

Hoje eu recebi várias demostrações de como o altruísmo, a compaixão e o sentimento de vida em comum tem andado tão distante da nossa sociedade. Resolvi tapar uma "sarjeta" que surgiu após uma nova pavimentação asfáltica da minha rua e que empoça água bem em frente ao meu estabelecimento. Comprei a mistura pronta de massa que é só adicionar água e temos a massa, pronta. :-) Peguei meu vasilhame de preparo de massa e minha colher de pedreiro e fui pra calçada (pergunta: por que eu tenho uma colher de pedreiro?).

Tapei mais ou menos uns 2 metros de sarjeta e fui preparar mais massa, enquanto peguei outro saco de massa de 25 Kg (haja coluna!) um indivíduo resolveu ficar de pé, parado, bem ao lado de onde eu tava fazendo a massa. Me desculpem, mas eu me recuso a pedir licença quando a situação é óbvia e ainda mais que eu cheguei e me instalei primeiro. Fui virando o saco de cimento no vasilhame e foi fazendo aquela névoa de cimento e o cara ainda ficou me olhando de lado, como se dissesse: "não vai pedir licença não?" Não, não vou. :-P Parece que ele estar parado numa esquina num solão de 11h fazendo nada fosse mais importante que eu, que já estava ali, trabalhando.

Logo depois de completar mais 2 metros, parei para ir lançar umas notas e quando voltei já tinha uma bicicleta estacionada bem em cima da minha "obra", mesmo tendo eu sinalizado com umas sacolas brancas da massa com pedras dentro e vassoura, caixa de misturar a massa e outras coisinhas. Vai ver pensaram que era lixo que caiu do caminhão, sei lá. Peguei a bendita bicicleta e coloquei ao lado, nesse momento o indivíduo saiu e disse que aquele trilho desenhado com a marca de pneu que começava na esquina e terminava exatamente no pneu de trás da bicicleta dele, não tinha sido feito pela bicicleta dele. Fiquei quieto, porque afinal de contas era um cliente, mas na minha cabeça vinha uma resposta assim: "Não moço, ela veio assim, levitando, lá do céu e de repente pousou aqui, ó!".

Fui buscar água pra limpar a colher de pedreiro pra eliminar aquelas trilhas desenhadas no chão quando ouço um barulho "cataplofit!". Parou um carro bem à margem do cimento , mas arremessando meu vasilhame pra cima do cimento e fazendo um buracão nele. Como se não bastasse sai uma senhora de dentro dele e pisa com os 2 pés na massa fresca. Que gostoso! :-)

Fiz mais massa e continuei minha epopéia ali abaixado no chão quando chegou outro indivíduo e foi estacionar o carro bem rente a calçada e foi chegando, foi chegando, foi chegando, até que eu levantei a cabeça e olhei bem dentro dos olhos dele, aí ele parou. Tão próximo que eu nem poderia me mover pra continuar meu trabalho. A sua esposa saiu sorridente do carro e eu novamente tive que lembrar que era cliente e disse com aquele sorriso com os dentes travados: "só não pode me atropelar hein!".

Depois que o bendito saiu  com o seu carro de onde eu estava, pude terminar o serviço. Apesar dos comentários de um funcionário público perguntando se eu tinha permissão para fazer obra em via pública e fora algumas piadinhas, tipo: "Mudou de emprego? Tá difícil a vida!" ou "Lá em casa tem uma laje pra encher!", mas também tiveram as palavras de incentivo: "Saulo mil e uma utilidades" ou "De fome você não morre, rapaz trabalhador."

Depois de tudo pronto, coloquei uma calha de metal de uns 6 metros ao longo da antiga sarjeta, mesmo pensando na possibilidade de ser roubada, e coloquei uma caixa de papelão de 1,5x1m bem na frente pra ficar claro que não era pra passar ali. Pois bem, não deu 10 minutos, um indivíduo conseguiu fazer uma manobra que, no teste do Detran a maioria fica reprovada, o fatídico 8, ele conseguiu passar nos míseros 60cm que separavam a calha da caixa de papelão e passou por cima do cimento fresco com a moto e destruiu uns 3 metros do meu trabalho e quando viu a m... que fez, caiu fora!

Eu fico pensando... as pessoas hoje em dia não conseguem pensar nem um pouquinho nos outros, às vezes, não conseguem nem enxergar os outros. Pensar nos problemas e necessidades alheias, muito menos!
Isso era uma coisa que dava pra evoluirmos, mas só rola a bendita da "desevolução".